Jovem autista é ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

Julho 9, 2019
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Julho 9, 2019 Core

As páginas quase sempre em branco no caderno de Gabriel Barroca, 13 anos, não dão pistas de que o material pertence a um medalhista de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – a Obmep. Aluno do 8° ano de uma escola de Vitória, no Espírito Santo, Gabriel faz a maior parte dos cálculos de cabeça. Ele precisou driblar essa característica para participar da competição, que exige na segunda fase dissertativa que os alunos expressem seu raciocínio no papel. A genialidade do estudante só teve chances de ser reconhecida depois que sua mãe, Andreza Barroca, 47 anos, conseguiu que o filho, que é autista, tivesse um tempo de prova extra para resolver as questões.

A mãe diz que Gabriel, na escola, está acompanhando pela educação especial. “Ele é um estudante diferente que não tem interesse em sequer abrir sua mochila para fazer exercícios, tomar notas. Para ele é suficiente ouvir na primeira vez que o professor explicou. Ele aprende mais ouvindo do que praticando, como costumamos fazer.”

Em sua 14ª edição, a Obmep registrou no ano passado a participação de 18,2 milhões de alunos na primeira fase, dos quais 952.782 foram classificados para a segunda etapa. Neste ano, foram concedidas 575 medalhas de ouro, entregues ontem, em Salvador. Todos os anos a Obmep premia estudantes em três categorias — nível um (6° e 7° anos do ensino fundamental), dois (8° e 9° anos) e três (ensino médio) — com medalhas de ouro, prata e bronze.

Se os cálculos complexos da disciplina não foram um problema para Gabriel, o mesmo não pode ser dito sobre seu ambiente escolar. Diagnosticado com o transtorno aos 8 anos, o medalhista foi alvo de bullying e chegou a fugir da escola depois que os colegas o cercaram e tiraram sua roupa. Após uma troca de turno, Gabriel conseguiu desenvolver suas habilidades.

Além da rejeição de parte dos colegas, o estudante teve professores que atribuíam seu comportamento à falta de interesse.

— Ele não demonstrava interesse em nada. Comecei a pensar “para onde ele vai?”. Quando se tem um filho, se pensa no futuro dele. Quando é um filho com um laudo médico, começamos a achar que não vai conseguir, ou só terá subempregos. De repente, ele mostra seu potencial, e isso prova que você está no caminho certo. O meu sonho é ver o Gabriel saindo da bolha — conclui Andreza.

 

Com informações do jornal O Globo e da Gazeta do Povo online

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