Pesquisadores da Unicamp produzem desenho animado para ensinar física a adolescentes

Julho 3, 2019 Core

Quarks e Léptons são partículas que constituem toda a matéria que existe no universo. Este também é o nome de um curta-metragem de animação que está sendo produzido por pesquisadores da Unicamp em parceria com o animador Maurício Squarisi, do Núcleo de Cinema de Animação (NCA) de Campinas. O filme está previsto para estrear em setembro e deve ser o primeiro de uma série com o objetivo de divulgar a física de partículas para estudantes adolescentes. O projeto ganhou o nome de “Anima Física”.

A iniciativa tem como público-alvo adolescentes entre 12 e 16 anos que cursam o ensino médio ou estejam concluindo o fundamental.

Para desenvolver o curta, o professor titular do Instituto de Física da Unicamp Marcelo Guzzo, que também integra o Grupo de Estudo de Física e Astrofísica de Neutrinos (Gefan) na instituição, conta que foi preciso se reunir com o grupo de animadores para uma intensa aula de física para garantir a exatidão teórica do projeto.

Na outra ponta, o animador Maurício Squarisi ficou à frente da parte artística. Não foi o aprendizado sobre o conteúdo científico presente na animação que mais o impressionou, tampouco o sucesso em transformar teoria em traços coloridos e divertidos. O animador garante que teve a atenção captada por algo, segundo ele, inesperado.

Átomos, partículas e… desenho animado?

Na visão de Guzzo, o fato de ilustrar conceitos aparentemente complicados e inquestionavelmente complexos na forma de desenho animado é uma maneira poderosa de fomentar o interesse por áreas da ciência de maneira orgânica.

Ele conta que a ideia era popularizar um conceito que, no Brasil, ainda é visto de uma maneira ultrapassada.

“A gente aprende na escola que os átomos são formados por um núcleo e que em torno dele existem os elétrons, sendo o núcleo formado por prótons e nêutrons. Esse pensamento é ultrapassado há pelo menos 50 anos”, garante.

Guzzo explica que os prótons e nêutrons, vistos por muito tempo como partículas elementares, são compostos por outras partículas ainda menores, chamadas “quarks”. Já os elétrons, como detalha o professor, fazem parte da família dos “léptons”.

E é justamente daí que surge o nome do desenho, “Quarks e Léptons”, produzido em forma de curta-metragem. A parceria com o grupo de animadores foi possível graças a um financiamento viabilizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Prótons, elétrons e rock ‘n roll

Com experiência em desenhos que envolvem conteúdo histórico e educacional, o animador Maurício Squarisi explica a concepção do roteiro.

“Trata-se de uma adolescente chamada Mari, que é fã de rock. Na história, ela faz uma aposta com o pai dela, que tem um baú. Caso ela acerte o conteúdo do baú, ganhará ingressos para assistir a um show de sua banda favorita”.

Na trama, a adolescente utiliza a teoria das partículas para se dar bem e garantir presença na apresentação musical.

Entre os destaques presentes no trabalho final, o artista destaca a “brasilidade” que deu o tom da história.

“A personagem principal é filha de um professor de física negro e de uma mãe que, além de ser professora de biologia, é uma imigrante italiana”.

O objetivo, segundo Squarisi, é aproveitar o conteúdo do desenho para exaltar a diversidade presente no Brasil de maneira bem-humorada.

Inserção nas salas de aula

Guzzo faz questão de afirmar que o projeto não tem como proposta permanecer apenas no ambiente acadêmico. Com o lançamento de um site, a ideia é que o curta possa ser assistido já em setembro, anexado a um material de apoio. Uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação também está nos planos.

“Cremos ser um trabalho que pode interessar aos professores, além de ser algo que não costuma ser estudado”, alega o professor, que quer ver o desenho veiculado tanto em escolas públicas como privadas.

Com informações do portal G1 e Unicamp

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