Reinventar a educação em comunidade

Julho 2, 2019 Helenice Schiavon Helenice Schiavon

 

“Não há poder comparável ao poder de uma comunidade que conversa consigo mesma sobre o que quer”. Margaret Wheatley

O que fazem em torno de uma mesa, 19 pessoas num domingo ensolarado no final de junho? O que as une, já que, dentre as 19, poucas se conhecem pessoalmente? O que significa que, dentre eles, boa parte seja educador ou educadora; ali empenhados em pensar Educação logo no primeio dia do tão aguardado recesso escolar?

O que move os artistas a encontrar um lugar nesta mesa? O que explica que, lado a lado, estejam também a terapeuta de almas, o professor de felicidade, a doutora dos pensamentos, os administradores dos fluxos de vida, os alquimistas da comunicação, os jovens (!) – enfim, o que vibra de tão forte e tão comunitário entre estes 19, que os leva a se sentarem juntinhos, num lanche coletivo e afetivo, sob o propósito mágico de falarem de si, de seus sonhos, desejos e potências? O que une estas pessoas – e outras que estão ali não pelo corpo, mas pela intenção e propósito – a se juntarem à mesa com a anfitriã que, humildemente abre sua casa, suas delicadezas pessoais para todos, num domingo tão ensolarado?

O que se pode dizer sobre este encontro tão diverso – sobre este momento  precioso e preciso – senão que ele foi destinado para a mais pura reinvenção de nós mesmos?

Foi assim nosso encontro mensal da CORE: uma experiência sobre o reinventar-se. E então, durante algumas horas, todos se deram a oportunidade de pensar a Educação deste país de uma forma positiva e com os pés no chão. Parece simples? Nem tanto. Muitas pessoas têm ido no sentido inverso desta lógica de pensar. Não que pensar diferente não seja igualmente necessário e importante, posto que, de toda maneira, amplia a conscientização sobre o status da Educação, prospecta aquilo que ela deveria ser e nos atualiza sobre o que ela não tem sido… Mas a Educação, sabemos nós, são pessoas – em especial, as crianças, os adolescentes e os jovens, não é mesmo? Dito assim e pensando a Educação como pessoas, não há como não desejar pensá-la de forma positiva; seja com  educadores, seja com tantos outros cidadãos e cidadãs que, com seus talentos, podem contribuir para o seu sucesso. Afinal, toda a vida importa.

Assim, o que nos fez ocupar aquelas  cadeiras em torno da grande mesa – na quente tarde de domingo, logo no primeiro dia do tão esperado recesso escolar  – não foi apenas aquilo que todos nós sabemos que nos falta e precisamos com urgência, mas, sobretudo, aquilo que há em fartura em nós e  que somos capazes de oferecer; como se fôssemos  “a formiguinha que passeia sobre a fita de Möbius” (1) – perdida entre o fim e o início de tudo; ou como um habitante imaginário no mundo das pinturas de Escher(2)

Tal qual pessoas num mercado de trocas, lá estávamos todos –  Reinventores da CORE – como se num grande mercado, a trocar:

O sonho de sustentabilidade por pessoas reais e boas ações(Gabi), um carinho por algo que se possa fazer para os pais das crianças e jovens (Kátia), o mapa da felicidade pela possibilidade de ensinar o caminho da ética (Ives), todas as escritas, artes, vozes, músicas e tantas outras formas de aliança (Helê, Márcia, Thaís, Ari, Bruna, Josy, Fábio e Eveline) por sonhos e projetos em educação…

Lá estávamos nós num doce e primitivo escambo, a trocar uma visão de negócio (e de vida) pelo potencial dos projetos (Fernando), a própria juventude pelas possibilidades  infinitas de criar e agir (Malu, Gustavo e Thiago), a vital energia pelo futuro das pessoas (Celiah)… Horas, poucas e muitas, de trabalho pela realização de sonhos na CORE, nossa Comunidade Reinventando a Educação…

Em torno da mesa havia ainda histórias de uma vida inteira, destinadas desde o início ao empoderamento do outro (Douglas)… Tudo isso sendo trocado assim – despojadamente e no aconchego da própria casa…

Ao final da ensolarada tarde de domingo, quem passasse por ali poderia ver cada um dos sonhos postos à mesa, a espera de quem mais quisesse estar ali e se reinventar.(Irene e Sérgio).

Referências:

(1) e (2): https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2018/09/fita-de-mobius-o-enigmatico-objeto-com-um-so-lado-que-fascina-matematicos-artistas-e-engenheiros.html

 

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