Escolas no Brasil têm menos tempo para ensino e mais bullying

Junho 30, 2019 Marcia Ameriot

Em média, os professores no Brasil passam apenas 67% do tempo em atividades ligadas ao processo de aprendizado

Os professores brasileiros perdem mais tempo com atividades não relacionadas ao ensino e lidam mais com o bullying entre os alunos do que a média internacional. Os dados são da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com 250 mil professores e diretores de escolas.

Em média, os professores no Brasil passam apenas 67% do tempo em atividades ligadas ao processo de aprendizado. O restante é dedicado a tarefas administrativas, como a chamada de presença, ou disciplinares, como manter a ordem entre os alunos. O relatório destaca o efeito cumulativo desse desperdício de tempo no aprendizado do estudante.

O Brasil é o terceiro país com o pior aproveitamento de tempo em sala de aula, à frente apenas da África do Sul e Arábia Saudita. Na média, nos países que integram a OCDE, os professores aproveitam 78% do tempo de aula com as atividades de ensino.

Para a OCDE, o efeito cumulativo disso traz grandes perdas para o aluno.

Um exemplo concreto: uma perda de apenas 5% no tempo gasto ensinando corresponde a 12 dias e meio no ano.

Bullying

Além do pouco aproveitamento de tempo, 28% dos diretores escolares brasileiros relataram ter testemunhado situações de intimidação ou bullying entre alunos, o dobro da média da OCDE. A expressão, que significa tiranizar, amedrontar e brutalizar, nasceu do termo inglês ‘Bull’ (valentão, tirano e brigão).

Semanalmente, 10% das escolas brasileiras pesquisadas registram episódios de intimidação ou abuso verbal contra educadores com “potenciais consequências para o bem-estar, níveis de estresse e permanência deles na profissão”, diz a pesquisa. A média internacional é de 3%.

Em muitos ambientes escolares, o bullying e a agressividade acabaram sendo “normalizados” e minimizados, com impactos negativos sobre o aprendizado. Se um estudante não se sente seguro em sua própria escola, não há condições para aprender.

Para fazer frente a esse desafio, a presidente e cofundadora da CORE Jovem, Maria Luiza Fernandes, a Malu, tem levado às escolas de Mogi das Cruzes (sua cidade) uma campanha contra o bullying. Malu foi gremista durante seus anos de estudante e agora, estudando como bolsista no curso de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, encampou a ideia do ativismo por mais essa causa. Até agora já conseguiu reunir mais de 200 assinaturas de professores e diretores de escola da cidade do Alto Tietê que se comprometeram a vigiar e evitar o bullying em suas instituições.

Nesta batalha, Malu não está sozinha. Obteve o apoio de um amigo que passou por uma grave crise depressiva e de bulimia, após ser vítima do bullying na sala de aula onde estudava. Em rodas de conversa por ela organizadas junto aos estudantes, o jovem conta sua experiência que, por muito pouco, não se transformou numa tragédia pessoal. Foi a forma encontrada por Malu para chamar a atenção principalmente de professores e conseguir deles e dos alunos o compromisso de combaterem o mal, cada dia mais comum entre os jovens.

Márcia  Ameriot – Educadora, Reinventora e diretora de Comunicação na CORE. Graduada em Comunicação e Jornalismo  pela PUC – SP e especialista  em  Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV – SP

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Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.

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