Cuidemos de nossa casa comum

Abril 23, 2019
Abril 23, 2019 Core
Dia da Terra ou dia da humanidade começar a cuidar da sua casa? E por que começar hoje? Talvez porque hoje seja sinônimo de agora e porque não há mais tempo!

Hoje o dia é da Terra, mas são os humanos que estão sob foco desde o desaparecimento de mais 40% das espécies animais desde 1970 e o desgaste de recursos do planeta. Estima-se que o homem já tenha impactado 83% da superfície terrestre.
De acordo com a Zero, a Terra enfrenta “a maior taxa de extinção desde que perdemos os dinossauros há mais de 60 milhões de anos”. O motivo? Os humanos e as suas atividades. “Alterações climáticas, desmatamento, perda de habitat, tráfico e caça furtiva, agricultura insustentável, poluição e uso de pesticidas”, são algumas das causas humanas para a diminuição da biodiversidade dadas pela associação, que faz o apelo para que o Dia da Terra deste ano seja celebrado a pensar na proteção das espécies.
O dia da Terra foi criado em 22 de Abril de 1970 nos Estados Unidos, por Gaylord Nelson, senador e ativista ambiental, com o propósito de abrir discussões em todo mundo sobre a importância da preservação dos recursos naturais do planeta Terra e criar cultura de consciência mundial sobre os problemas da contaminação, destruição da biodiversidade, uso não sustentável dos recursos naturais, desmatamentos e outros problemas que ameaçam a vida em nosso planeta. Aqui no Brasil, houve momentos marcantes para dar voz à necessidade de se cuidar do planeta Terra, como a Rio 92 e pelo mundo, as COPs – Conferências da ONU sobre Mudanças Climáticas que ocorrem desde 1995 e mais objetivamente a redação da Carta da Terra em 1999 com intuito de formar uma aliança global para cuidar da vida e do planeta Terra.
“A Terra é uma só nação, e os seres humanos, os seus cidadãos”. Rio-92
“No nosso diverso mas crescente mundo interdependente, é urgente que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns aos outros, com a grande comunidade da vida e com as gerações futuras. Somos uma só família humana e uma só comunidade terrestre com um destino comum.” Minuta do Documento de Referência – CARTA DA TERRA, 11 de abril de 1999. Gadotti, Moacir, em Pedagogia da Terra, 2000. pg. 203
Recentemente, a ONU declarou a Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas, que visa intensificar a restauração de ecossistemas degradados e destruídos como uma medida comprovada para combater a crise climática e melhorar a segurança alimentar, o fornecimento de água e a biodiversidade. Até hoje a degradação dos ecossistemas terrestres e marinhos compromete o bem-estar de 3,2 bilhões de pessoas e custa cerca de 10% da renda global anual em perda de espécies e serviços ecossistêmicos.
E o que os líderes globais têm feito para combater a crise climática? O que cada um tem feito para combater a crise climática? Por que não nos faz conectados com a crise climática? Por que continuamos a brigar por ideologias que só geram dor e guerra? Por que alimentamos o distanciamento, a não conexão consigo, com o outro e com o planeta? Porque damos atenção às notícias que alimentam o ódio e colocamos atenção e tempo, alimentando os valores que nos separam? Por que não olhar, dar atenção, dedicar tempo aos valores que nos unem?
Salvar a nossa casa maior, caso ainda queiramos existir, talvez seja a única causa 100% comum, independente de crenças religiosas, valores culturais, talvez seja a única causa capaz de unir os povos.
Somos todos um, cada um de nós tem nas mãos o poder para reverter as causas da mudança climática que destrói a cada dia a nossa casa. São centenas de estudos científicos mostrando os danos que cada um pode causar a cada dia, quando decidimos comprar algo em função de TER e acumular ao invés de cuidar do SER.
Por que não aprendemos a ter consciência ecológica? Por que desde 1999 as escolasnão cumprem o Art 10 da Lei 9797 – PNEA – Política Nacional de Educação Ambiental, onde é exigido no currículo escolar a educação para sustentabilidade de forma interdisciplinar e interligada às demais disciplinas?
“A consciência ecológica levanta-nos um problema duma profundidade e duma vastidão extraordinárias. Temos de defrontar ao mesmo tempo o problema da Vida e do planeta Terra, o problema da sociedade moderna e o problema do destino do homem. Isto nos obriga a repor em questão a própria orientação da civilização ocidental. Na aurora do terceiro milênio, é preciso compreender que revolucionar, desenvolver, inventar, sobreviver, viver, morrer, anda, tudo inseparavelmente ligado.” Edgar Morin, em Lago e Pádua, 1994, p.6.
Precisamos começar a cuidar de todas as nossas casas, como uma boneca russa matrioska, sendo a primeira casa os nossos corpos: físico, mental e espiritual, depois a casa que nos abriga fisicamente, que pode ser a mesma casa que funciona como nosso lar, depois a nossa família, depois as comunidades das quais participamos, trabalho, lazer, cuidados pessoais, amigos, redes de apoio, logo em seguida nosso bairro, territórios onde atuamos até chegarmos ao planeta Terra.
E por que, ao invés de cuidarmos da nossa casa, estamos cada vez mais a destruí-la? Porque estamos nos distraindo ao invés de lutar por um mundo habitável para nós e as futuras gerações. Nós adultos somos o futuro, sendo o presente e agindo agora, não carreguem o peso das responsabilidades nas nossas crianças e jovens, cresçamos e assumamos a responsabilidade como um adulto, que reconhece sua parte no problema (suas decisões de estilo de vida, de consumo de tempo, informações e produtos estão demandando mais do que o Planeta Terra pode oferecer). O planeta Terra se auto sustenta, mas o estrago é tão grande, que para além da sustentabilidade precisamos urgentemente regenerar o planeta e redesenhar a nossa presença e de todos os sistemas de vivos na Terra. Precisamos assumir a direção de nossas vidas, SER quem somos, contribuir para a regeneração planetária nos colocando a serviço através dos nossos talentos, precisamos despertar todos os níveis de consciência até alcançarmos a consciência planetária e começar hoje a consertar a bagunça que fizemos e estamos fazendo.
Todo dia é dia. Que tal começar hoje, que tal estabelecer uma meta de mudança de estilo de vida? Que tal começar de hoje em diante, hoje à noite, a vigiar e tomar decisões que nutrem e respeitam o seu ciclo circadiano, decidindo o que absorverá de informação, decidindo como utilizará seu tempo, que tipos de pensamentos e relacionamentos são saudáveis, se reconhecendo, refletindo sobre o que te faz feliz, qual o seu sonho, qual é o seu talento, quais são suas necessidades básicas, o que você não abre mão, o que precisa prover, consumir e o que você pode oferecer ao mundo? Afinal, a vida é mágica, um presente que temos nas nossas mãos e eu quero e desejo que a espécie humana continue a existir, mesmo por que não temos planeta b.
O planeta Terra não irá acabar, se transformará pela regeneração ou pela destruição? A humanidade e as espécies de vida merecem continuar vivendo no planeta Terra? Eu acredito genuinamente que sim. Contem comigo, uma pequena formiga que fará a sua parte pela regeneração planetária, transformação para as gerações futuras, agindo agora.
Gabriela Cilento Conti
Referências:
Gadotti, Moacir, em Pedagogia da Terra, 2000.
https://www.infoescola.com/fisiologia/ritmos-circadianos/
https://nacoesunidas.org/onu-declara-decada-sobre-restauracao-de-ecossistemas/amp/
https://observador.pt/2019/04/22/dia-da-terra-planeta-perdeu-40-dos-animais-desde-1970/

Gabriela Conti Montenegro – Urbanista, bairro educadora. Facilitadora de cursos, workshops e vivências de educação para a sustentabilidade. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Anhembi Morumbi, especialista em desing de comunidades sustentáveis pelo Gaia Education (GEDS 2013), pós graduada em gestão de negócios pela Business School e treinada pela Rede Brasil do Transition Tows. É Reinventora CORE.Cuide

 

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