Março 14, 2019 Core
Foto: Maiara Barbosa


Estamos diante de mais uma tragédia. Ela é produto de outras tragédias, diárias, silenciosas e graves. A violência está nas relações, no nosso cotidiano e em detalhes que estamos absorvendo como naturais.
Não há uma resposta única para o que aconteceu em Suzano ontem. Não é só a apologia às armas, o videogame, a falta de segurança, o bullying ou qualquer outro motivo isolado que encontrarmos. Não estamos educando nossos jovens, ninguém está conseguindo: nem a escola, nem a família, nem a sociedade. Os jovens estão desprovidos de esperança, não acreditam em seus sonhos e nem acham possível mudar o mundo. Qual geração de jovens não quis mudar o mundo? Nossos jovens não acreditam que podem! Estamos roubando os sonhos deles!

Cultivar as relações humanas

A escola está repleta de cobrança de resultados, não que eles não devam acontecer, mas o foco não deve ser só esse, deixando de lado as relações e incentivando a competição e o esgotamento. As drogas, o álcool e os videogames chegam cedo na vida de nossos jovens, os limites não são colocados. Pais inseguros não conseguem e jovens incentivam o consumo e de novo, o abuso acontece.
O sono de nossos alunos não é adequado, a nutrição não é equilibrada. Quantos alunos chegam nas escolas sem café da manhã e dormem nas aulas porque ficaram até tarde no computador?E o número de alunos com depressão e os casos de suicídio? Existe uma conjunção de fatores que desencadeiam este comportamento. Nunca vamos achar uma resposta só.

Cultura de paz

Existe uma solução possível: a cultura da paz sendo desenvolvida nas escolas, o trabalho de construção do projeto de vida desses jovens e o apoio da escola, dos pais e da sociedade na realização dos sonhos. Como e por onde começar?
Sugerimos que seja começar aqui, agora e com os recursos que cada um tem. Direcionem suas atenções e ações para promover a mudança e instaurar a cultura de paz a partir de você irradiando aos que estão à sua volta.

Não sejamos também ladrões de atenção! Utilizemos as mídias sociais e, principalmente, o afeto e os olhos nos olhos junto às crianças, jovens, pais e cuidadores da nossa rede direta e real, presentes no nosso dia a dia. É nosso pape dar atenção, colo, braços, ouvidos e corações abertos, ter antenas da empatia ligadas e antenas dos julgamentos desligadas.
Só assim poderemos acolher as possíveis causas e efeitos da juventude sem sonhos, com intuito de darmos o melhor que temos e nos colocarmos a serviço, através dos talentos e habilidades de cada um, para que efetivamente possamos fazer a diferença na vida dos nossos jovens. Só assim poderemos co-criar um outro campo, mais forte e em rede de empoderamento pessoal, coletivo, de afeto e escuta empática e, quem sabe assim, com o trabalho de formiga, mas atento e persistente de cada um de nós, possamos minimizar as possíveis causas conjuntas dessa tragédia.



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