Janeiro 27, 2019 Sergio Camaru

Como, afinal, podemos construir o futuro da sociedade se a educação ficar vinculada ao passado, ignorando que a autonomia se constrói no presente e esta construção determina o futuro? “Dewey sabe que é por meio da educação das crianças que se determina o futuro da sociedade” (CUNHA, 2011, p.46). 

Isso não significa uma obsessão por tentar adivinhar ou pressupor este futuro. Ao contrário, significa estar ainda mais atento ao momento presente, que é quando se dá tal educação. É aproveitar o contato com o estudante, criar momentos de interação em que professor e estudantes, seres inacabados e em desenvolvimento, possam aprender juntos. “De acordo com nosso autor, não há necessidade de preparar o educando para o futuro. Se no presente a escola propiciar experiências duradouras e saudáveis para o desenvolvimento da criança, esta será capaz de lidar com o futuro, seja ele o que for” (CUNHA, 2011, p.50). 

Esta nos parece uma razoável definição de como a educação deve entender autonomia – como autodesenvolvimento, construído no hoje –, resolvendo as questões e necessidades atuais. Desta maneira, aprendendo a resolver o hoje, este adulto terá também ferramentas internas para resolver aquelas necessidades daquele tempo em que ele estará inserido. Há que se ter presente, constantemente, a premissa freireana de que aprender precede ensinar. Somos todos seres que aprendem em todas as fases da vida, do nascimento à morte. “O mundo encurta, o tempo se dilui: o ontem vira agora; o amanhã já está feito. Tudo muito rápido” (FREIRE, 2009, p.139).

Sergio Gomes Camarú – Engenheiro da computação e matemático, especializando-se em computação aplicada à educação. Fomenta práticas de educação matemática para a equidade, inclusão e ludicidade. Reinventor CORE.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *