Yes, nós acolhemos imigrantes!

Yes, nós acolhemos imigrantes!

Nos últimos anos, o Brasil tem recebido uma quantidade expressiva de imigrantes e refugiados, dentre eles, muitas crianças. Essa nova situação vem alterando o dia a dia de muitas escolas públicas e particulares.

Para além da questão de compreender e debater tais fluxos contemporâneos de deslocamento, as instituições de ensino lidam com o desafio de acolher e integrar esses alunos que chegam ao país, valorizando ao mesmo tempo suas culturas de origem.

Um dos gargalos para o acesso à educação está no desconhecimento por parte de muitos pais imigrantes indocumentados de que têm direito ao sistema público brasileiro de saúde e educação. Mas o direito à educação deve ir além da matrícula na escola. A qualidade da educação passa pela mobilização de repertórios como cinema, música e artes para pensar uma educação integral com o corpo e mente.

 

Intercâmbio cultural dentro da escola

Na Vila Maria Alta, zona Norte de São Paulo, o professor Éder Magalhães realiza o projeto de Intercâmbio dentro do programa “Mais Educação São Paulo”. Esse projeto desenvolve atividades para promover a integração de adolescentes de pelo menos 4 nacionalidades na EMEF João Domingues Sampaio.

Com o apoio da CORE - Comunidade Reinventando a Educação, Éder põe em prática com um grupo de alunos em horário alternativo às aulas o Projeto Intercâmbio: Derrubar barreiras, construir pontes – A interculturalidade como elemento de integração estudantil. A CORE leva à escola parceiros que desenvolvem oficinas com o grupo de alunos.

“A ideia do projeto é favorecer a integração entre alunos de diferentes nacionalidades no cotidiano escolar e propiciar ao estudante imigrante o sentimento de acolhimento e pertencimento”, explica o educador. Ele esclarece que o elo que une os estudantes é o estudo estudo do espanhol pelos alunos brasileiros e os de os de origem latina já que muitos deles acabam perdendo a língua materna e sua cultura ao migrar. Há uma intenção clara de estimular o empoderamento e o orgulho de sua cultura entre os alunos provenientes de países de origem hispânica proporcionando a eles participação e o protagonismo das ações de estudos da língua.

 

Ocupando o território da escola

A ocupação do território e entorno escolar tem ajudado os jovens a se integrar melhor. Para isso, Éder leva os alunos a espaços educativos com o intuito de apresentar-lhes a cidade e, ao mesmo tempo, promover situações de intercâmbio cultural e comunicação. Visitaram, por exemplo, no Sesc Bom Retiro, a exposição Travessias Ocultas - Lastro Bolívia, experiência, que configurou uma viagem pelo território boliviano.

“Temos a meta de levá-los à Espanha, berço do idioma, mas, por enquanto, temos organizado atividades que os aproximam da língua e das tradições de seus países de origem”, conta, animado, Éder.

Os alunos já criaram um jornal mural, “Mundo hispanohablante”, com informações dos vários países hispanos, notícias, curiosidades, expostas para toda a escola. Eles disponibilizaram também livros em espanhol que podem ser compartilhados entre todos.

 

Convidado venezuelano

O pedagogo e artista venezuelano residente no Brasil, Douglas Escalante, foi um dos convidados da CORE para desenvolver uma atividade com o grupo: “Foi uma experiência nova e muito boa para mim. Nunca havia trabalhado com jovens e menos ainda, de escola pública.”

Douglas relata a timidez da maioria e a dificuldade, a princípio, de que participassem todos - uma característica comum a grupos de imigrantes. “Mas aos poucos todos foram participando e a energia gerada foi especial”, completa Escalante.

Ele considera importante o papel da arte e do lúdico nesse trabalho de integração, além da leitura e geografia, como meio de incorporá-los ao mapa do mundo hispano. Douglas é pintor, muralista e entusiasta da pedagogia humanista e construtivista.

Segundo a Polícia Federal, entre 2013 e 2015, 320 mil pessoas migraram para o Brasil, uma média anual 2,4 vezes maior do que em anos anteriores. Em 2006, o país recebeu 45.124 imigrantes e refugiados.

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