Reinventar a educação, não consertá-la

Reinventar a educação, não consertá-la

Não há uma resposta única ou modelo “ideal” de educação no mundo. Nenhuma nação possui todas as respostas para a ampla quantidade de desafios no campo educacional. Mas todas as respostas devem passar pela valorização das pessoas. A mudança na educação é a mudança das instituições e passa pela transformação das pessoas que as mantêm.

A aprendizagem não está centrada no professor, nem no aluno, mas numa relação, como diz o educador José Pacheco, Conselheiro de honra CORE.

 

Onde está o problema?

Geralmente, quando os alunos não aprendem, acreditamos que é um problema do estudante, por dificuldade de aprendizado ou lentidão de raciocínio; por problema social; problema na família; problema de renda.

Quase ninguém menciona o problema do ensino, que tem base numa estrutura dos séculos XVIII e XIX. O problema  é a escola e a ideia de que dá para ensinar todos de uma vez só e de uma maneira só. Precisamos reinventar a educação! Não continuar introduzindo pequenas ou grandes mudanças no estilo de aula acreditando que trazer mais computadores pra escola ou “inovações” que pipocam aqui e ali será suficiente. A mudança tem que ser profunda. Algo assim como a fala de uma das principais personagens da série de TV a cabo, que virou mania mundial, Game of Thrones (Jogo dos Tronos)  em um dos episódios: “I’m not going to break the wheel, I’m going to destroy it”, o que, em tradução literal seria como “eu não vou quebrar a roda, mas destruí-la”.

Os motivos para a reforma saltam aos olhos. Violência, índices baixos, professores desestimulados, analfabetismo funcional.  Hoje, “este modelo de escola ainda é hegemônico e produz ignorância, doença nos professores e a infelicidade de muitos seres humanos”, completa Pacheco.

 

Possíveis caminhos

No campo teórico da educação, já tudo foi inventado. Na prática, aquilo que tem sido considerado inovação não tem sido avaliado e, quase sempre, tem consistido apenas em pequenas mudanças num modelo educacional hegemônico e obsoleto. Esse modelo, dito “tradicional”, aquele em que é suposto ser possível transmitir conhecimento, faliu muito tempo atrás. Predomina nas escolas uma cultura que assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos.

Se tivesse que apontar caminhos, certamente passariam por algumas premissas:

  • uma visão clara e coerente sobre o papel da educação na construção de uma nação;
  • mudar o status da profissão do professor na sociedade, recuperando sua autoestima. Investimentos na formação intensiva e continuada de professores;
  • insistir menos no ensino e mais na criação de condições de aprendizagem.

A mudança em educação é processo complexo e moroso: para grandes metas, pequenos passos.  A formação dos professores é deficiente. As escolas são geridas numa racionalidade administrativa e burocrática. Mas o principal obstáculo é o professor, quando assume que o ato de educar é solitário, quando recusa reelaborar a sua cultura pessoal e profissional.

Urge buscar uma escola do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo, fomentar a organização do acesso à informação e a aprendizagem do uso do conhecimento.

 

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