Política, com p maiúsculo

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Política, com p maiúsculo

Com o país virado do avesso no âmbito econômico e político, impossível não falar desse tema. Como o mestre Paulo Freire dizia, necessitamos uma educação para a decisão, para a responsabilidade social e para a cidadania e isso diz respeito à Política, com p maiúsculo.

Sofro quando ouço aquele triste comentário, cada vez mais comum entre os jovens, que dizem “detestar” política e “não querer saber nada” do assunto. Creio que confundem Política com partido político, que são coisas diferentes.

Há uma frase rodando pelas redes sociais que diz que quem não gosta de política acaba sendo governado por quem gosta…
E esse parece ser o problema. Vamos conversar, então, sobre as relações entre os âmbitos da educação, da política e da cidadania no contexto das possibilidades reais que a educação tem de construir uma sociedade mais democrática. Aliás, a educação tem esse caráter político e de formação de cidadãos críticos, responsáveis e ativos e essa também é uma das responsabilidades dos educadores.

A educação em si já tem uma natureza política o que não significa que seja partidária. A “matéria prima”, por assim dizer, da educação é o ser humano, um “animal” ético, mas inacabado, em movimento, em construção.

Definitivamente somos capazes de transformar e transformar-nos como sujeitos políticos e históricos. Essa dimensão política traz consigo, inevitavelmente, uma luta ideológica e pelo poder que a educação também pode ajudar a formar em uma busca pelo bem comum: reconhecer- se como animal político, como dizia Aristóteles desde a época grega, é reconhecer-se cidadão com direitos e deveres e comprometer-se pelo bem-estar próprio e do outro.

Que tipo de sociedade desejo e construo? A ação educativa, portanto, compromete a pessoa com o modelo de país no qual ela espera viver e espera trabalhar. Além disso, o caráter político da educação intervém nessa condição, direito ou aspiração dos seres humanos que é e liberdade.

A capacidade de escolher é fundamental na ação humana. A capacidade de observar, de comparar, de avaliar para escolher mediante a decisão é exercer cidade e sim, pasmem, se aprende, se educa e pode ser na escola!

Por isso, uma educação que forma seres dóceis, conformistas, adaptados ou uma educação que forma para a liberdade, para a autonomia, para o pensamento crítico e construtivo pode ser opção na hora de escolher onde estudar, sim senhor.

A educação possui uma dimensão histórico-política inegável e um papel na formação da cidadania. Uma família que se diga democrática, que se comprometa com os valores da justiça, da igualdade, da liberdade, que enfrente a corrupção, deve estar disposta a educar seus filhos em uma instituição que reze pela mesma cartilha e não voltar atrás depois no concreto do dia a dia quando o filho “encarar” o pai que fura o sinal vermelho ou prefere “molhar” a mão do guarda para fugir dos pontos na carteira de habilitação.

Ou só vale combater a corrupção dos políticos profissionais? Qual o meu compromisso com a formação cívica dos meus filhos? Parar em fila dupla? Andar pelo acostamento na volta do feriado?

Propomos uma educação que forme um cidadão crítico e politizado, com capacidade de questionar, que mantenha intacta sua capacidade de assombro e surpresa e de perguntar por quê? Como éramos na infância. Esse é o porto de partida do aprendizado e do conhecimento – a curiosidade, a humildade de querer saber, o admitir-se não ser dono de todas as respostas. E é também uma postura política diante da vida. Ter mais perguntas que respostas. Estar sempre aberto ao diálogo. Não ser dono de verdades inquestionáveis.

Aprender a dialogar porque o processo educativo é eminentemente relacional – implica considerar que meu pensamento, explicação e ação no mundo tanto como educador ou educando não está dissociado do “outro”, que é diferente de mim, que pensa diferente de mim e ainda assim merece todo meu respeito, mesmo que nunca cheguemos a concordar no campo das ideias.

A formação da cidadania deve ser levada em conta, não é dada especificamente na esfera do estritamente “técnico” ou “informativo”, mas entre outras, nas formas em que as relações entre professores e alunos estão definidas; nas ligações estabelecidas entre escolas e comunidades; na luta pela melhoria da educação, nas condições de acesso das crianças e jovens à escola; mesmo nas ações para a melhoria das condições de trabalho dos docentes.

Essas lutas também devem estar ligadas às que ocorrem diariamente na busca de uma sociedade mais democrática, justa e humana.

Já para terminar, diria que a educação constitui uma prática política porque ela realiza, de alguma forma, uma intervenção no mundo: educar, ir em busca desse sonho, já é um ato político por si só. Mas há o sentido que chamo “humanizador” da educação, pois ela indica o caminho da mudança, do “outro mundo possível” contra as injustiças sociais, contra a perda dos direitos. Sempre haverá um herói, anônimo ou não, que munido, de um diploma, consegue ganhar a luta ou, pelo menos, alguma batalha.

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