Partidarismo, moral e representação social

Partidarismo, moral e representação social

Vivemos um tempo em que os julgamentos à indivíduos, grupos e organizações pautam-se pelas possíveis associações que se possa fazer a uma ou outra ideologia partidária. Aquilo que historicamente foi construído como conquista social, desenvolvimento humano, processos libertários - ideais plantados pelo sonho republicano do século XVIII - é associado a um determinado partido com a finalidade de, pela crise partidária que vivemos nos últimos anos, desqualificar idéias, convicções e compromissos. Assim, por exemplo, associar processos democráticos a partidos de esquerda, com uma carga representativa que o desvalorize, constitui uma dessas atitudes que vivenciamos no presente. Vestir-se de branco, como em 2013, ou de verde-amarelo, passou a significar o cidadão de bem, apolítico, isento da maldade e da sujeira que macula as siglas partidárias. Atitudes como estas representam a ignorância do nosso tempo. Maior símbolo de tal ignorância foi aquele clássico episódio da moça que entrou na galeria de bandeiras do Congresso Nacional e, apontando para a bandeira do Japão, acusou os parlamentares de estarem pintando de vermelho a bandeira do Brasil. Falar de pobre, igualdade, democracia, participação, justiça social, direitos humanos passou a ser jargão de classificação das pessoas, desqualificação e critério para julgamentos morais. Falta compreensão histórica, filosófica e sociológica para superar a ignorância que paira por tais análises. Suprimir a pobreza é resultado do real desenvolvimento – basta visitar-se países capitalistas desenvolvidos que conseguiram acabar com a pobreza; democracia é sinal das gestões co-responsáveis e comprometidas – seria interessante conhecer experiências das empresas japonesas que trabalham com uma relação horizontalizada de gestão para aprendermos com eles e vermos que co-participação é sim lucrativa; Direitos humanos é conquista da civilidade – nações que implementam processos efetivamente educativos e socializadores mostram os resultados do respeito às pessoas, de diminuição da violência. Enquanto ficarmos falando de política como se fala de futebol, acusando ao invés de compreender, julgando ao invés de conhecer melhor, excluindo ao invés de agregar, seguiremos sendo um país periférico, atrasado e ignorante. Só para lembrar: liberdade, igualdade e fraternidade são valores fundamentais da Revolução Republicana e não da Revolução Socialista. A maior libertação que precisamos conquistar é a da ignorância.

Adriano J.H. Vieira é Conselheiro de Honra da CORE. Doutor e Mestre em Educação, Filósofo, com formação em Psicologia Analítica e Discernimento Vocacional.

No Comments

Post a Reply

WhatsApp chat