O desafio se chama “juventude” – Parte 1

O desafio se chama “juventude” – Parte 1

A adolescência é sedenta de desafios. Assistimos aterrorizados à epidemia de suicídios entre adolescentes e jovens e, apesar da consternação, parece que não conseguimos ler os sinais gritados por eles. A super proteção social buscada pela classe média e o abandono das classes populares são duas faces do mesmo fenômeno social da produção artificial da realidade.

Jorge Larrosa escreveu um ensaio que leva o título “Ferido de realidade, em busca de realidade”. Achei de uma genialidade provocante este título.

De uma parte buscamos super proteger nossos adolescentes impedindo-os de tocar e serem tocados pela realidade. Trancafiamos nossos filhos em casa, no carro, no shopping – em realidades artificiais, virtuais, digitais - por medo da violência, medo da rua, medo do outro. Impedimos de serem desafiados de verdade pelo mundo.

O resultado, para aplacar a sede de desafio, é a busca da provocação no único mundo onde circulam livremente: a internet.

Sem a presença adulta, que seria capaz de provocar desafios reais e que façam sentido, os adolescentes e jovens se desafiam mutuamente com provocações que vão desde virar uma cambalhota até os desastres mais horrendos que temos visto nos noticiários.

O que falta? Qual é o caminho?

As respostas são complexas.

Tenho um filho adolescente e vivo na pele a complexidade do tema. O que tenho certeza – e já escrevi sobre isso no livro “Educador/a? – Presente!” – é que sem a presença do adulto a juventude perece. Fico assustado com a naturalização com que se fala na prorrogação da adolescência, ao mesmo tempo em que se constata sua precocidade.

Se começamos a adolescência mais cedo e terminamos mais tarde passaremos a maior parte da vida nela. Será que esse fenômeno é tão natural assim? Será que está alheio a nós e nossas atitudes?

Adriano José Hertzog Vieira é Doutor em Educação, Filósofo, Pai e Conselheiro de Honra da CORE. Escreve às quartas e sextas.

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