O desafio se chama “juventude” – Parte 2

O desafio se chama “juventude” – Parte 2

O fenômeno da chamada “adolescência prorrogada” está sendo tratado como algo natural e consequência de fatores externos ao processo educativo. Comumente se ouve falar que os jovens ficam mais tempo na casa dos pais para concluir um curso de graduação, arranjar um emprego ou casar-se.

Entretanto, tais justificativas podem esconder a face mais perigosa do prolongamento da juventude: a manutenção da imaturidade, da dependência e da falta de proatividade.

A presença do adulto – tanto de forma real quanto simbólica – é de fundamental importância na construção da subjetividade da criança e do adolescente. Tal referência tem como função a produção do desejo, no sujeito em formação, em tornar-se adulto.

Se o adulto se apresenta como alguém que nega a adultez, preferindo permanecer jovem, fazendo-se “amigo/a” do filho/a ao invés de pai/mãe, a leitura a ser feita será a de que “ser adulto não é bom” e a decorrente conclusão “preferível permanecer adolescente/jovem”.

Essa permanência no estado adolescente (e é bom lembrar que “adolescer” deriva de “adoecer”) prorroga, também, a construção de sentido para a vida, o reconhecimento da função do sujeito no mundo, o exercício autônomo e responsável pelas atitudes e opções fundamentais do existir.

Se queremos uma juventude mais saudável, alegre, colaborativa, integrada, responsável, sonhadora, construtora de um novo mundo, precisamos ser adultos que vivam essas coisas já e aqui.

Educar, que é uma decorrência da atitude amorosa do adulto, requer a escuta, a compreensão, o acolhimento e carinho, mas também o desafio, o limite, o acompanhamento, enfim, a presença.

Adriano José Hertzog Vieira é Doutor em Educação, Filósofo, Pai e Conselheiro de Honra da CORE. Escreve às quartas e sextas.

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