Malala encanta e emociona em evento sobre educação

Malala encanta e emociona em evento sobre educação

Na tarde desta segunda-feira (9), aconteceu algo poderoso no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O encontro com a ativista pela educação Malala Yousafzai provocou um turbilhão de emoções e uma forte chamada à ação nos quase 800 convidados, a maioria jovens e meninas, e as mais de 5 mil pessoas que acompanharam o encontro via redes sociais. A mediação foi feita pela jornalista Adriana Carranca, autora do livro “Malala, a menina que queria ir para a escola”. Na plateia, estavam estudantes de escolas públicas e organizações do setor de educação.

Um dos pedidos de Malala foi estar perto dos jovens, com quem ela mais se conecta. Meninas e meninos de vários lugares do Brasil foram convidados para assistir Malala falar de suas ideias sobre educação, especialmente a educação de meninas, que ainda é negada em muitos países. Malala fez questão de estar próxima, conhecer suas realidades e permitir que os jovens fizessem perguntas diretamente a ela. Emocionou-se e emocionou a todos.

Malala começou o evento com uma fala firme em defesa da educação e empoderamento das meninas. Mas foi incrivelmente doce e tranquila ao conclamar a plateia e todos a promover uma educação que permita que meninas e meninos sonhem grande e para que não sejam vulneráveis nem vítimas de tráfico de pessoas, ou obrigadas a trabalhar.

Mesmo que não falasse, lembrar da história fe Malala já seria suficiente para também emocionar-nos. Não é todo dia que encontramos uma mulher que, desde muito nova, luta pelo direito das meninas no Paquistão. Que sofreu um atentado por isso. Que ficou entre a vida e a morte, e daí conseguiu se reerguer e, a partir da tragédia, construir uma luta ainda maior, global.

Quando pensamos em Malala, pensamos na dureza e crueldade da vida das meninas no Paquistão e no Oriente Médio. Mas em sua fala de abertura, Malala lembrou que, no Brasil onde vivemos, ainda há 1,5 milhões de garotas sem acesso à educação. Somos o quarto país do mundo com mais crianças casadas. Ainda temos tanto a avançar.

Educação é investimento, poder e independência

Malala defende que a luta pela educação das meninas é uma luta que beneficia a todos. “Educação é mais do que ler e escrever. O empoderamento vem da educação, a emancipação, a independência. Educar garotas ajuda a construir economias, fortalecer democracias e traz estabilidade aos países”, ela afirmou, logo de cara. E, já que estávamos em um evento patrocinado por um dos maiores bancos do país, não custou nada a ela lembrar: “Educação é o maior e mais sustentável investimento de longo prazo”.

Além de Malala e de Ana Lúcia Villela, presidente do Instituto Alana, três mulheres foram convidadas a compartilhar suas histórias com Malala e com a plateia: a escritora Conceição Evaristo, que falou sobre a força da leitura – e fez Malala contar que, na casa dela, é ela que lê para a mãe, que só está se alfabetizando agora: “ela vendeu todos os livros quando tinha 6 anos e não pôde estudar mais. Agora ela está lendo novamente, aprendendo, e eu me sento ao lado dela, é maravilhoso”, relatou.

“Minha mãe é uma das razões para eu continuar lutando pela educação de cada mulher porque ela me lembra todos os dias o quão é importante que as mulheres aprendam a ler e escrever, o quanto isso as empodera”, disse

A diretora da ONG Casa do Zezinho Dagmar Rivieri, falou sobre a importância dos vínculos e o poder de disseminar a paz, e a ativista Tábata Amaral, que contou sobre sua trajetória da escola pública até Harvard e propôs à Malala um trabalho conjunto.

Com a ajuda das histórias contadas por elas – e por jovens selecionadas na plateia, Malala foi engajando a plateia na luta que não é só dela. Como ela fez questão de falar para os jovens: “Não sou a pessoa que vem de fora com soluções. Para fazer mudança, temos que contar com a base local, os ativistas locais. Quero trabalhar em conjunto com movimentos locais para juntos entendermos melhor os problemas e explorarmos novas ideias”.

Como Malala mantém o ânimo frente às adversidades

Os jovens ativistas que foram convidados a fazer perguntas diretamente a ela estavam muito interessados em entender de onde vem a força de Malala. O desânimo com a política, com a realidade e a raiva diante da violência e da injustiça fizeram parte das indagações. Como continuar lutando? Como persistir quando tudo parece ir contra o bom trabalho?

Para elas, Malala tem uma lição. Ela conta que visita muitos campos de refugiados e que lá conhece muitas meninas. Ela contou a história de uma, em específico, que estava prestes a se casar, forçada pelo Estado Islâmico, mas antes do casamento conseguiu fugir. E que ela correu por dias até conseguir se abrigar em um campo de refugiados. Um lugar onde as instalações são precárias, mas onde ela ainda pode sonhar em estudar e ter uma vida independente. E arremata com: “se ela não perde a esperança, por que eu deveria perder?”

Atualmente, Malala estuda na Universidade de Oxford, uma das mais prestigiadas do mundo. Mesmo em uma realidade tão diferente – e tão melhor, podemos dizer – do que a que vivia no Paquistão, ela vê que a igualdade entre homens e mulheres é um sonho a ser perseguido, e não uma realidade: “eu vejo meus colegas em Oxford. Os homens são sempre tão confiantes, falam com tanta certeza sobre as coisas, confiam neles mesmos. E as mulheres, mesmo tão inteligentes quanto eles, são mais hesitantes. Devemos ser confiantes, acreditar em nós mesmas! Nunca subestimem seu poder. Sigam falando, lutando, e nunca desistam”, ela prega, com muita convicção e confiança.

Malala não sente raiva?

Para encerrar, Malala respondeu a uma questão sobre domínio de emoções.
Como ela lida com a raiva? Em um trecho famoso do documentário “Malala”, ela afirma nunca ter sentido raiva de quem cometeu o atentado contra ela. Seria possível uma coisa dessas?

A resposta dela é daquelas para levar pra vida: “Quando você passa sua mensagem com raiva, gritando, de forma violenta, você perde energia. A força de suas palavras se perde. A mensagem pacífica tem um poder oculto. Então tente transformar a energia da raiva em uma energia positiva e pacífica. Desta forma, ninguém poderá te ignorar”.

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