Educação pelo retrovisor

Educação pelo retrovisor

A educação sempre é construída de forma integrada às demais dimensões sociais. Desta forma, as concepções que se tem do que seja educar está relacionada ao que compreendemos por política, economia, ser humano, sociedade.

Fico assustado ao ver, por exemplo, na política nada mais que o saudosismo: uns tem saudades da rígida gestão militar; outros, da funesta liberalidade do mercado, promovida pelo FHC; um terceiro grupo vive na nostalgia do recente popularismo paternalista do PT e assim por diante.

Ainda existem os que enxergam por retrovisores mais potentes que alcançam a farra promíscua da monarquia.

Estamos carentes de utopia.

No campo da educação isso não difere. As escolas, com a maquiagem da inovação do mundo digital, praticam a velha instrução pautada pelo controle disciplinar capitaneado pela nota e pela presença física do estudante em sala de aula.

Dias atrás escrevi dois textos – sequenciados – que publiquei aqui refletindo sobre o atual momento da juventude e a responsabilidade do adulto. Depositamos nos ombros dos jovens a insustentável idealização do futuro.

Apostamos em futuros adultos que tirem não sei de onde, as alternativas para todos os problemas da atualidade, mas com as referências do passado.

O livro bem humorado de Gonçalo Tavares (que ainda não li, mas já ouvi muito falar), “O Torcicologologista”, chama a atenção para o mal de nosso tempo: o olhar voltado para o passado.

Se quisermos formar nossas crianças e jovens para o futuro, precisamos construí-lo para eles.

Adriano José Hertzog Vieira é Doutor em Educação, Filósofo, Pai e Conselheiro de Honra da CORE. Escreve às quartas e sextas.

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