De Itambé, Pernambuco, para o mundo

De Itambé, Pernambuco, para o mundo

Jayse Ferreira cresceu na cidade brasileira de Itambé, um local conhecido até recentemente pela violência e pobreza que são experiências comuns para os alunos de sua escola. Ele vem, como muitos daqueles que ele ensina, de um passado pobre. Seus pais trabalhavam na colheita de cana-de-açúcar. Nenhum dos dois sabia ler ou escrever, mas incutiram no filho uma crença poderosa na educação.

Quando se formou como professor de História da Arte, Ferreira estava determinado a transmitir essa paixão por aprender com seus alunos. Ele sabia que tinha que desenvolver formas de ensino que tivessem  ressonância entre seus alunos do ensino médio e pesquisou  sobre o que tornaria a escola mais envolvente para eles. Ele descobriu que o currículo estava fora de sintonia com as experiências vividas pelos alunos ps. Tecnologia e mídia social surgiram como elementos importantes. Ele criou o projeto "Vamos simplificar esta história", incentivando os alunos a escrever curta-metragens. Isso era ambicioso, já que a maioria dos estudantes não havia ido ao cinema antes. Ele fez um acordo com o cinema em Recife para que os estudantes pudessem se permitir visitar.

Os estudantes foram inspirados. Juntos, eles selecionaram um conto para filmar - um prefácio da série Harry Potter. Na época, quase não havia equipamentos na escola. Ferreira persuadiu as empresas locais a apoiar o projeto, por exemplo, através de doações de roupas para fantasias. Os estudantes realizaram todos os aspectos das filmagens, desde a atuação até a edição. O vídeo resultante foi visto mais de 20.000 vezes no Youtube em menos de uma semana.

Com base nesse sucesso, os alunos assumiram assuntos mais desafiadores que os afetam diretamente, incluindo dirigir alcoolizado, o que resulta em um número significativo de mortes entre os jovens na área a cada ano. Os filmes foram exibidos na comunidade e receberam respostas extremamente positivas.

Juntamente com as filmagens, os alunos de Jayse Ferreira participam ativamente em debates sobre os assuntos que abordam. Um particularmente chamou sua atenção: os estudantes discutiam suas identidades raciais e religiosas diante de experiências de preconceito. Isso levou a um projeto de fotografia explorando a etnia no Brasil. O trabalho foi exibido para toda a comunidade. Posteriormente, os incidentes de preconceito na escola foram reduzidos a zero.

Ferreira conseguiu compartilhar seus métodos com outras pessoas em sua cidade através de uma rede de apoio a colegas de professores que ele estabeleceu. Ele também faz parte da rede nacional de professores Conectando Saberes.

As inscrições em universidades aumentaram dramaticamente entre os alunos de Jayze Ferreira, enquanto as taxas de evasão escolar caíram acentuadamente. O trabalho realizado por Ferreira em Itambé foi reconhecido nacionalmente. Ganhou a medalha de honra ao mérito Paulo Freire. O trabalho foi premiado como o melhor ensino médio na categoria Inovação pelo uso de TIC no Prêmio Professores do Brasil 2017. Como resultado, a cidade não é mais conhecida apenas como a cidade mais violenta do Brasil, mas pelo trabalho criativo de Ferreira e seus alunos.

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