Cérebros de adolescentes não estão prontos para provas aos 16, diz neurocientista britânica

Cérebros de adolescentes não estão prontos para provas aos 16, diz neurocientista britânica

Sarah-Jayne Blakemore, professora de neurociência cognitiva da University College London (UCL), uma das universidades mais prestigiadas do mundo, afirmou que os adolescentes britânicos têm sido prejudicados pelo sistema escolar do país por causa dos horários das aulas e das provas do Cerificado Geral de Educação (em inglês General Certificate of Secondary Education ou, em sua sigla, GCSE). Os exames são aplicados em todo Reino Unido aos 16 anos, quando, segundo a especialista, seus cérebros estão passando por uma enorme mudança.

A neurocientista contou que foi apenas nos últimos anos que a escala total das mudanças que ocorrem no cérebro adolescente foi descoberta. "Esse trabalho revolucionou completamente o que pensamos sobre este período da vida", disse ela.

Blakemore disse que os adolescentes eram injustamente ridicularizados e demonizados por comportamentos sobre os quais não tinham controle, fossem o mau humor, ou o excesso de riscos, decisões erradas ou dormir até tarde.

As mudanças no cérebro são enormes, disse ela, com aumentos substanciais da substância branca e uma queda de 17% na massa cinzenta, o que afeta a tomada de decisões, o planejamento e a autoconsciência.

Todos os pais sabem que os adolescentes dormiriam até tarde se pudessem, mas tudo tem a ver com as mudanças cerebrais, disse ela. “Não é porque são preguiçosos, é porque passam por um período de mudança biológica onde a melatonina, que é o hormônio que os humanos produzem à noite e nos deixa sonolentos, é produzida algumas horas depois do que na infância ou a idade adulta ”.

Eles são forçados a ir à escola quando o cérebro diz que eles ainda deveriam estar dormindo. Isso é exacerbado nos finais de semana, quando os adolescentes tentam dormir até o horário de almoço - o que Blakemore chamou de "jetlag social".

Eles estão constantemente mudando o relógio do seu corpo de um fuso horário para outro, o que deve ser muito desorientador.

Para ela, as escolas deveriam começar mais tarde, mas acrescentou que o problema é maior nos EUA ou outros países, onde as aulas começam às 7h30 ou às 8h, e as distâncias podem ser tão grandes que algumas crianças têm que sair de casa às 6h da manhã.

A neurocientista considera um erro aplicar avaliações estressantes como as do sistema educacional britânico aos 16 anos, quando o cérebro adolescente está passando por uma mudança tão grande. Além disso, ela lembra, a adolescência é o período em que as pessoas são mais suscetíveis a doenças mentais, seja ansiedade, depressão, automutilação ou vícios. Entretanto, segundo ela, não há recursos suficientes sendo canalizados para a questão em seu país. “Esta é uma área altamente negligenciada em termos da quantidade de recursos para estudos e o cuidado de doenças mentais em jovens”.

 

Tradução livre de artigo publicado no jornal The Guardian em 29 de maio de 2018. Para ler o original: https://www.theguardian.com/books/2018/may/29/teenagers-brains-not-ready-for-gcses-says-neuroscientist

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