Aprender em Comunidade porque juntos vamos mais longe

Aprender em Comunidade porque juntos vamos mais longe

A segunda imersão da Vivência Gaia Escola, que ocorreu no final de semana passado, no espaço do Projeto Âncora, em Cotia, São Paulo, possibilitou uma maior compreensão do alcance deste programa de formação de Comunidades de Aprendizagem, de sua urgência neste contexto do século XXI, que ainda conta com uma educação do século XIX. Educadores, juntos, puderam oferecer seu apoio, contribuir de diferentes formas. Cada um que já cruzou um trecho do caminho vai pegando na mão do outro e contribuindo para que este chegue também ao outro lado. A força e a confiança no grupo constituído foram um divisor de águas no processo. Isso é a Vivência Gaia com os profissionais Ecohabitare, algo com o qual a CORE contribui divulgando e fomentando a formação de novos núcleos. Vivenciamos esta experiência de que cada um tem seu tempo e mesmo assim ninguém fica para trás, como costuma lembrar o educador José Pacheco, Conselheiro de Honra CORE e um dos idealizadores do Projeto Âncora e do Gaia Escola. A CORE esteve presente, representada por sua presidente, Irene Reis Santos.

Gaia Escola não é um curso, é uma vivência de Comunidade de Aprendizagem. O que é uma Comunidade de aprendizagem? É um tempo-espaço em que todos se comprometem com responsabilidade para com o outro. Não se confunde autonomia com independência ou solidão. Só se faz de maneira autônoma quando antes se viveu a solidariedade, quando se confia na força do acolhimento permanente do grupo. O pássaro voa, mas gosta de voltar para um ninho seguro. Pedir ajuda é a honestidade de quem se sabe incompleto, não pronto e ser gregário, capaz de compor. Isso é respeito por si e pelo todo de que se faz parte.

Podemos também definir Comunidades de Aprendizagem como uma proposta de transformação social e cultural que envolve alunos, professores, pais e demais cidadãos locais na construção de um projeto educativo e cultural próprio, para educar a si, suas crianças, seus jovens e adultos. Não são projetos de escolas, mas justamente a superação do modelo educacional baseado em aulas, séries e disciplinas.  Para Pacheco, as Comunidades de Aprendizagem são “práxis comunitárias baseadas em um modelo educacional gerador de desenvolvimento sustentável. É a expansão da prática educacional de uma instituição escolar para além de seus muros, envolvendo ativamente a comunidade na consolidação de uma sociedade participativa. ” O método é implantado, em sua maioria, no ensino fundamental. Porém, nada impede que seja expandido para outros níveis. “Já usei essa metodologia em uma universidade e deu muito certo. Não há restrições para a criação das comunidades de aprendizagem”, afirma Pacheco

A aprendizagem é resultante de um processo interativo, um projeto mais baseado na autonomia, na responsabilidade e na solidariedade, como já foi descrito. As escolas são as pessoas e as pessoas são os seus valores. A escola não são edifícios, são projetos que partem de valores e de princípios.

Na opinião de Pacheco, o Brasil enfrenta um problema de gerenciamento, o que atrapalha a implantação de novos métodos. “O país tem ferramentas, mas gere mal ou desperdiça seus recursos. Não adianta a escola se converter ao mundo digital e continuar adotando formas de ensino obsoletas, por exemplo. É preciso buscar uma instituição do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo”, afirma o educador.

 

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